sábado, 9 de julho de 2016

Resenha do livro "Dama da Meia-Noite

                  


Ano de publicação: 2016

Editora: Galera Record

Autora: Cassandra Clare

Gênero: Fantasia

Dama da meia-noite, publicado em 2016 pela Galera Record é o primeiro livro da trilogia Os Artifícios das Trevas, a mais recente saga da autora Cassandra Clare no universo dos Caçadores de Sombras. Os livros são ambientados em Los Angeles, em 2012, cinco anos após os eventos encerrados de Cidade do Fogo Celestial. Cassandra Clare já escreveu duas séries no mundo das Sombras, – um mundo oculto no qual existem vampiros, lobisomens, fadas e feiticeiros (chamados de seres do Submundo) e os Caçadores de Sombras, guerreiros Nephilim que combatem demônios e mantém a paz no Submundo – Os Instrumentos Mortais e As Peças Infernais. Todas as séries escritas pela autora nesse mundo se conectam de alguma forma. Não foi diferente com os Artifícios das Trevas, que possui total relação com os acontecimentos do último livro de Os Instrumentos Mortais.

No prólogo de Cidade do Fogo Celestial, somos apresentados aos futuros personagens principais, ainda crianças, de Dama da Meia-noite: Emma Carstairs e os irmãos Mark, Julian, Drusilla, Tiberius, Livia e Octavian Blackthorn. Vemos como a Guerra Maligna afetou a vida dos Blackthorn – seu pai foi transformado em um monstro e posteriormente morto por Julian para salvar os irmãos; sua irmã, Helen, exilada por ter sangue de fada; seu irmão Mark, levado pela Caçada Selvagem; e a responsabilidade de criar as crianças deixada com Arthur, um tio o qual mal conheciam. Além disso, os pais de Emma foram assassinados.  Por causa disso, Emma, melhor amiga dos Blackthorn desde que nasceu, passa a morar com eles no Instituto de Los Angeles. Ela se tornará parabatai  (vínculo estabelecido entre dois Caçadores de Sombras que juram lealdade eterna ao outro) de Julian, portanto não podem ser separados. É notável o brilhantismo da autora ao abordar a história dos personagens da sua série futura nesse livro, pois além dos leitores já se sentirem ligados a eles, todo o sentimento, drama, mistério e tristeza vivenciados por essas crianças serão lembrados durante a leitura de Dama da Meia Noite. 

Outro fato que demonstra a genialidade de Cassandra, foi o livro Contos da Academia dos Caçadores de Sombras, o qual se passa três anos antes de Os Artifícios das Trevas. Nesses contos, fatos importantes para a próxima a trilogia são abordados.

Veja a seguir uma visão geral do enredo da história, retirada da sinopse presente no livro:

“Emma Carstairs é uma guerreira, uma Caçadora de Sombras: a melhor da sua geração. Ela vive para lutar. E faz isso ao lado do seu parabatai, Julian Blackthorn. Juntos eles patrulham as ruas de Los Angeles, onde fadas – as mais poderosas das criaturas sobrenaturais – tentam se manter na linha depois de uma guerra com os Caçadores de Sombras.

Quando os corpos de fadas e de humanos assassinados começam a aparecer com as mesmas marcas encontradas nos pais de Emma, há alguns anos, uma aliança preocupante se forma. O Rei Unseelie, quebrando as regras da Paz Fria, pede ajuda ao Instituto de Los Angeles. É a chance de Emma se vingar, mas também a oportunidade de Julian recuperar o irmão mais velho, Mark, prisioneiro do Povo das Fadas e integrante da Caçada Selvagem desde a Guerra Maligna. Tudo que Emma, Mark e Julian precisam fazer é resolver o mistério dos assassinatos em duas semanas... A busca pela verdade leva Emma de cavernas repletas de magia junto ao mar a uma loteria bizarra na qual a morte é convidada de honra. A cada pista, mais segredos se revelam”.

Ordem de Leitura

Novas capas dos outros livros da autora
Como foi dito, Os Artifícios das Trevas possui ligações com a série anterior da autora. Para o entendimento de Dama da Meia-Noite, é necessário que se leia Os Instrumentos Mortais? Não é necessário, o leitor entenderá a história sem ter lido esses livros. Porém, existem conexões e referências que não serão captadas, pois estão relacionadas as duas séries anteriores. Uma das características magistrais desse universo criado pela Cassandra Clare é justamente as ligações e o modo como as histórias de todos os personagens desse mundo se conectam de forma impecável. Devido a isso, recomenda-se que os livros anteriores sejam lidos na ordem de publicação, para que se entenda a sua nova obra da forma mais completa possível. Além disso, se o leitor se interessar pelas outras obras da autora – uma hipótese muito provável – infelizmente já saberá o destino dos personagens dos outros livros, pois alguns deles aparecem de forma secundária em Dama da Meia-Noite. Ademais, existe o fato da evolução da escrita. A cada livro, sua escrita foi evoluindo de maneira notável. Seria no mínimo decepcionante ler Dama da Meia-Noite, o auge da excelência, e depois voltar ao seu primeiro livro, quando ainda havia muito a ser melhorado.


Inspiração

Dama da Meia-Noite foi inspirado no poema de Edgar Allan Poe, Annabel Lee. De acordo com uma publicação da autora no seu tumblr, o tema, a ambientação e a atmosfera geral de Os Artifícios das Trevas são influenciados e inspirados no poema. Por exemplo, o som do oceano, o reino e a tumba perto do mar, o tema de perda devastadora e amor proibido, são importantes na trilogia. Os nomes da maioria dos capítulos são versos do poema.
Já As peças infernais, sua outra série, foi inspirada no livro Um conto de duas cidades, de Charles Dickens. Segundo Cassandra, como nesse caso, há conexão textual direta entre o poema e Dama da Meia-noite. O poema é importante no enredo, os personagens o discutem e analisam.

Atmosfera

Ao contrário dos outros livros da autora, existe o clima de tensão e expectativa durante toda a narrativa. Enquanto as pistas dos assassinatos vão aparecendo, os personagens parecem ainda mais perdidos do que antes e o leitor sente isso junto com eles. Quando enfim todas as perguntas são respondidas, não há como não se surpreender com a genialidade da autora, pois as peças do quebra-cabeça se encaixam. O poema é a peça chave, porém, não é fácil entender como.

Personagens
Os personagens são muito bem construídos, apresentam várias camadas, e o relacionamento entre eles é bem explorado, principalmente entre irmãos. Já Emma representa o poder feminino. É interessante observar isso durante a narrativa, pois é mais uma forma de mostrar que as mulheres podem ser independentes e experientes sem serem condenadas por isso.

Vários temas polêmicos no mundo atual são apresentados: LGBT, autismo, ciúmes, amor proibido, ódio, autoestima, papel da mulher, perdas, relacionamentos em geral.

Arte oficial por Cassandra Jean

Romance
Arte feita por fãs

O casal principal da história, Julian e Emma, passa por uma luta interna durante o livro. Parabatai são melhores amigos, protegem um ao outro, morreriam um pelo outro, mas são proibidos de se apaixonar. Se forem descobertos, a Clave, governo dos Caçadores de Sombras, irá separá-los da família, exilá-los e condená-los e viverem como mundanos – pessoas normais. Suas Marcas de Caçadores de Sombras serão retiradas. Ninguém sabe o porquê dessa lei, mas no final do livro, parte do motivo será revelado. Os dois amam um ao outro desesperadamente a vida toda, e sofrem muito por causa empecilho.

Conclusão

Sem dúvidas, Dama da Meia-Noite é uma obra prima pois, além de trazer fantasia e seres sobrenaturais, apresenta personagens humanos, com tantas falhas quanto qualquer um de nós, e neles, aborda assuntos que merecem ser mais representados na literatura.  Escrito de forma magistral, com uma ótima dose de mistério, romance e suspense, esse livro é um prato cheio para os que amam obras fantásticas, como Harry Potter, Trono de Vidro e entre outros.

Estudante: Lorrany Andrade da Cruz
Referências: Site Idris Brasil
                     Tumblr da autora





Resenha Crítica do filme "O Menino do Pijama Listrado".


Resumo ­ O Menino do Pijama Listrado

O primeiro encontro entre Bruno e Shmuel.

 A história do filme ocorre na Alemanha, no início da Segunda Guerra Mundial, onde relata a história de um garoto de 9 anos, chamado Bruno. Seu pai é um oficial Nazista e assumiu um cargo importante em um dos campos de concentração, por isto, Bruno e sua família tiveram que mudar para um local isolado, onde uma criança não tem muito o que fazer. Os problemas surgem após o garoto explorar o local, que acaba conhecendo Shmuel, um judeu que aparentava ter sua idade e com isso, firmam uma amizade que eles nem imaginam ser tão perigosa.

Crítica

A inocência de dois garotos na primeira e última visita de Bruno na "casa" de Shmuel.

Este filme é uma adaptação do livro O Menino do Pijama Listrado do autor John Boyne e traz uma história comovente, sendo um ótimo filme para ver a Guerra em outra perspectiva, já que é construído no olhar de um garoto de 9 anos que percebe à sua maneira o quão ela é injusta e aterrorizante. Além disso, diferencia-se de outros filmes que tem normalmente, o foco na guerra ou nos soldados. O mais emocionante de se ver é a construção de uma amizade entre um judeu e um alemão que na época era surreal, mas no filme isso torna possível, pois Bruno e Shmuel decidiram não viver um preconceito enraizado, eles optaram pelo amor ao próximo sem olhar a quem. A intolerância humana é uma das críticas do filme, já que mostra como as crianças e os adultos se diferem. As crianças se relacionam com os outros pelo prazer, já que não tem uma opinião formada e preconceitos, vivem perante sua inocência. Os adultos que são consumidos por suas crenças e culturas, tornam-­se cegos, intolerantes, ignorantes, maldosos, egoístas e irracionais. O desfecho do filme traz um impacto, já que os dois amigos achavam que estavam indo para o "banho" sem saber que iriam morrer, nesta cena(uma das únicas, se não a única) mostra realmente o horror do Holocausto e mesmo assim, na perspectiva de Bruno, não via a maldade. Isso leva a uma reflexão: Em qual cegueira estamos vivendo? Quais foram os últimos pensamentos e desejos dessas pessoas? Após descobrir que seu filho morreu por sua ignorância, o que o Nazismo significou? Qual a lição disso tudo? A questão desse final é deixar em aberto a reflexão sobre a humanidade, até que ponto nos damos o direito de decidir o que é certo/errado? Quem nos dá o direito de punir?

Referência Bibliográfica

THE BOY, in the striped pyjama. Direção: Mark Herman. Produção: David Heyman. Estados Unidos, 2008. 94min. Color,formato: Widescreen Anamórfico.


Susanna Lourenço Cunha, graduanda de Letras­-Espanhol na Universidade Federal de Goiás­-UFG.
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sexta-feira, 8 de julho de 2016

Resenha: "As crônicas de Nárnia: o leão, a feiticeira e o guarda-roupa".






UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS - FACULDADE DE LETRAS 

Leitura e Produção Textual – Profª Margareth Lobato
Aluno: Matheus Menezes Nunes.



                      Resenha do livro “Nárnia: o leão, a feiticeira e o guarda-roupa”.





Livro: As Crônicas de Nárnia
Autor: C. S Lewis
Editora: Martins Fontes
Gênero: Aventura e fantasia.
Ano de publicação: 1950.
Aspectos gerais: Primeiro livro publicado da saga “As Crônicas de Nárnia”, porém, segundo na ordem cronológica.
Aspectos físicos: 83 páginas e 17 capítulos.
Preço: R$ 31,90 (Livro físico) e R$ 24,90 (Livro em plataforma digital)



O livro conta sobre quatro crianças humanas: Pedro, Susanna, Edmundo e Lúcia, que desempenham um papel central e descobrem o ficcional Reino de Nárnia através de um misterioso guarda-roupa de casacos encontrado na casa de um velho professor.“Edmundo experimentou uma misteriosa sensação de horror. Pedro sentiu-se valente e vigoroso. Para Susana, foi como se uma música deliciosa tivesse enchido o ar. E Lúcia teve aquele mesmo sentimento que nos desperta a chegada do verão. Assim, no coração da terra encantada de Nárnia, as crianças lançaram-se na mais excitante e mágica aventura que alguém já escreveu.”(HORTENCIA D., 2016, online) Em Nárnia, a magia é comum, alguns animais falam e ocorrem diversos conflitos entre o bem e o mal. Os quatro irmãos Pevensie pertencem à Terra e são transportados para esse outro mundo a fim de ajudar os narnianos a acabarem com o reinado da falsa rainha, que mantinha o país em um terrível e prolongado inverno que já completava cem anos, e a serem ajudados pelo Grande Leão conhecido como Aslam.


                             Imagem do adaptação do livro em questão. Momento em que Lúcia encontra o guarda-roupa encantado.


           Cena retratando Susana, Edmundo,Pedro, Jadis (a Rainha Branca) e Lúcia, respectivamente, segundo a ordem da esquerda para a direita.

     Esta é uma história envolvente, pouco rica em detalhes e com linguagem de fácil acesso.  O leitor de Nárnia percebe logo de início as intertextualidades presentes na trama e que são cruciais para o cumprimento de um possível objetivo: transmitir às crianças, de forma simples, as histórias bíblicas. As mais fortes referências bíblicas presentes em “O leão, a feiticeira e o guarda-roupa” são as que se fazem à Aslam – que desempenha o mesmo papel bíblico de Jesus Cristo ­– e à sua morte e ressurreição, sendo essa ocorrida devido a um sacrifício para a libertação de Edmundo.
     Sem dúvidas, esta é uma ótima leitura a todas as idades. É proporcionada à todos os públicos uma empolgante viagem fantástica com conteúdo à moda antiga e com direito a reis e bruxas, elfos e centauros, e uma mega batalha final envolvendo leopardos, rinocerontes e ursos.  C. S. Lewis captou e encantou mesmo com o pouco detalhamento na construção dos personagens e do cenário, pois preferiu deixar para o leitor a construção dos mesmos, assemelhando-se também, nesse aspecto, à Bíblia.

                                                                                                                  

            Referências:
HORTENCIA D. As crônicas de Nárnia – livro II: o leão, a feiticeira e o guarda-roupa. 2016. Disponível em: <www.retalhoclub.com/2016/02/16/resenha-as-cronicas-de-narnia-livro-ii-o-leao-a-feiticeira-e-o-guarda-roupa/>. Acesso em 30 jun. 2016.                                                       
          

          Matheus M. Nunes (graduando em Letras-Português na Universidade Federal de Goiás).




                                         












quinta-feira, 7 de julho de 2016

Antes do Pôr-do-sol (Resenha)

Resenha Crítica do filme: “Antes do Pôr-do-sol” (Before Sunset)

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“Antes do pôr-do-sol” (Before Sunset, 2004) é o segundo de uma série de três filmes que tem o título Antes (“Antes do amanhecer” e “Antes da meia-noite” (Before Sunrise, 1995 e Before the Midnight, 2013). O filme foi dirigido pelo diretor norte-americano Richard Linklater e protagonizado por Ethan Hawke e Julie Delpy. A história se passa nove anos depois do primeiro encontro de Jesse (Hawke) e Celine (Delpy). Não é necessário assistir ao filme anterior para compreender “Antes do pôr-do-sol”. No entanto, antecipando a curiosidade de alguns, farei um breve resumo para então prosseguir com a análise do filme.
Em “Antes do Amanhecer”, Jesse e Celine se conheceram num trem que corta a Europa, começaram a conversar, sorrir e flertar. Ao chegar em Viena, deveriam dizer adeus, porque Jesse tinha um avião para pegar. Entretanto antes de despedir-se, ele pede para que Celine desça e passe a noite ele. Desse modo, sem compromisso, os dois descobrem a capital austríaca, encontram videntes, dançarinas, poetas e o amor. Antes do amanhecer, eles vão até a estação de trem, de onde Celine seguiria viagem, e, sem trocar telefones, endereços, ou sobrenomes, fazem uma última promessa: vão se reencontrar naquela mesma estação em seis meses.
Esse é o ponto de partida para “Antes do pôr-do-sol”. Jesse usou sua experiência ao lado de Celine para escrever um livro. Após passar por diversas cidades europeias em uma turnê promocional de sua obra, ele chega a Paris. Em uma pequena livraria, ele conversa com jornalistas locais e, durante a última pergunta, vê Celine no fundo da loja. Posteriormente, os dois caminham até um café e decidem passear por Paris antes que Jesse pegue o avião. Durante uma longa caminhada, eles passeiam por jardins, ruas estreitas e de barco. Sempre falando sobre sentimentos e pensamentos próprios, o que aconteceu depois de Viena e o que eles esperam da vida.
            Apesar da história ser simples e talvez um pouco comum há quatro fatores que tornam-na singular e inconfundível. A estrutura, o roteiro, as técnicas de filmagem e a atuação dos atores são os principais pontos de destaque e que determinam a excelente qualidade e originalidade. Cada um desses aspectos será abordado na ordem respectiva.
O filme é articulado pelos diálogos entre Jesse e Celine. Essa estrutura atrai e envolve de um modo estranho e avassalador. Tudo parece real. Essa é a principal impressão que se tem quando se assiste ao filme. Não tornando surpreendente o fato de que muitos espectadores acreditaram que a história fosse verdadeira. As emoções e aflições de Celine que nunca consegue se envolver com ninguém, sempre tendo relacionamentos pouco significativos ou a falta de perspectiva de Jesse que mesmo casado, autor “best-seller” (bem-vendido) e com filho pequeno não consegue ser feliz. As situações e emoções nos parecem reais. Imediatamente, estabelecemos relações com nossas vidas, o que sentimos e quando percebemos estamos em submersos no filme. Caminhamos junto com os personagens, concordamos e discordamos deles. Sentimos suas angústias como fossem nossas e sentimos o amor deles como fosse nosso.
No começo, quando os dois se encontram, há uma alegria misturada com estranheza que é demonstrada pela forma como os dois conversam e se entreolham. Depois a conversa prossegue com mais naturalidade e por fim revelam seus sentimentos mais íntimos. Tudo está presente no roteiro de modo sutil e simples. Nada é exagerado como em muitos filmes do gênero, isto é, não existem personagens para ajudar no desenvolvimento dos protagonistas (amigos e amigas) nem cenas de tom melodramático acompanhado por música romântica. Outro fator positivo do roteiro são as falas. Os pensamentos e sentimentos são revelados, por intermédio das falas, sempre com sutileza, naturalidade e profundidade. As pausas, olhares e os gestos completam os diálogos e reforçam a sensação já mencionada.
Além disso, no filme tem uma bela fotografia de Paris, com enquadramentos que ressaltam a beleza da cidade, mas nunca deixam os personagens desprivilegiados. A maioria das cenas são longas e sem cortes. Tornando o trajeto e as conversas entre os dois agradáveis e fáceis de acompanhar. Há também uma grande quantidade de contra planos durante alguns diálogos. Essa técnica estimula a sensação de intimidade com os personagens, já que vemos um através dos olhos do outro.
Por fim, e não menos importante, há a questão da interpretação dos atores. Julie Delpy (Celine) fez um excelente trabalho, interpretando a força, a graça e indecisões de uma mulher que reencontra alguém que marcou sua vida profundamente sua vida, mas está casado. E Ethan Hawke (Jesse) deixou sua marca como um homem insatisfeito com a vida e cínico com relação ao casamento, mas que acredita no amor depois de ver Celine. A competência dos atores de trabalhar com emoções e pensamentos que a maioria de nós tem torna a história como um todo verossímil.
 “Antes do Pôr-do-sol” é um filme belíssimo e que instiga muitos pensamentos sobre a maturidade alcançada com 30 anos e apresenta as emoções e angústias sobre amor, futuro dentre outras coisas. Em cada cena descobrimos um pouco sobre os personagens e sobre nós mesmos. Além disso, coloca-se a questão do reencontro de alguém que marcou sua vida, o que faríamos se o encontrássemos? Recomendo-o para todos públicos. Homens e mulheres. Românticos e não-românticos. Solteiros e comprometidos. E para quem não tem muita paciência para os filmes do Woody Allen.
 Finalizo lembrando o que dizia Jean-Claude Carrière, diretor e roteirista francês. Para ele, os melhores filmes são os que seguem bem os princípios da alquimia. Transformar pedras em ouro. Transformar algo ordinário em algo extraordinário. Nesse filme o cotidiano transmuta-se em arte.

Estudante: Mateus Soares Dias
REFERÊNCIAS:
ARNHEIN, Rudolf. A arte do cinema (arte e comunicação). SILVA, M. C. L. Tradução. Edições 70: Lisboa, 1957.
CAARRIÈRE, J. C. A linguagem secreta do cinema. Saraiva: São Paulo, 2008.
ANTES do amanhecer. Direção: Richard Linklater. [S.l.]:  Castle Rock, 2003. 1 DVD (90 min). Título original: Before the Sunrise.