Blog da disciplina Leitura e Produção Textual, ministrada pela Profª Margareth Lobato, da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás. São membros natos todos os alunos regularmente matriculados em LPT no papel de autores, produtores de conteúdos e primeiros leitores das atividades dos colegas. Sejam todos bem vindos e apreciem sem moderação!
segunda-feira, 10 de julho de 2017
2017 13 de maio Casamento em Trindade completo
O Coral VOZES DA ADUFG agora incursionando em Casamentos!
segunda-feira, 3 de julho de 2017
UFG, um lugar de ideias
Quando
pisei pela primeira vez na UFG, estava na época do “Espaço das Profissões”,
então meu antigo colégio trouxe os alunos para que eles tivessem contato com a
universidade diretamente e pesquisassem mais sobre os cursos que tinham
interesse. Assim que desci do ônibus me deparei com uma enorme universidade à
minha frente e com milhares de jovens, estudantes das UFG e meros colegiais assim
como eu. Andando pelas passarelas em busca de informações sobre os cursos, conversei
com atuais estudantes da universidade, e com alunos prestes a tentarem ingresso
em algum curso também. Pude perceber a pluralidade de pessoas na UFG, de
diferentes tipos e gostos, com cabelos, ideologias e sentimentos diferentes. A
universidade além de um local onde se ganha aprendizado dentro das salas de
aula, também oferece aprendizado com as interações entre os alunos fora delas.
Gramados, corredores e passarelas, viram locais de troca de experiência, nos
mais variados assuntos. A universidade,
nesse caso a UFG, é um dos locais onde as ideias e culturas se entrelaçam numa
teia social que envolve todos que dela fazem parte. Interação é UFG.
Gildo
Antônio Rodrigues Filho, acadêmico de Letras da Universidade Federal de Goiás
(UFG)
domingo, 25 de junho de 2017
Resenha: A Guerra dos Tronos, GRRM.
AS
CRÔNICAS DE GELO E FOGO – A GUERRA DOS TRONOS”
MARTIN,
George
R. R. A Guerra dos Tronos. Editora LeYa. 2010.
![]() |
| Ilustração da capa de A Guerra dos Tronos de George R. R. Martin fonte retirada: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgrheQalYOdaddfmvIUevkpwh_lIk-1m7hp42rePG27B-3ufFzUkP5_zJ-a-Zq9Bgoc3GlKGGEbq7zSip5huDN_ytt_fCYKJX-qGY7EnbiZYWASKa8X2_-GFZkK23b9Of2ZKhkDrAyjQSQW/s1600/A-Guerra-de-Tronos.jpg |
A
história gira em torno dos conflitos que ocorrem nas terras de Westeros,
envolvendo atritos entre grandes famílias, a disputa pelo Trono de Ferro, a
ameaça dos últimos remanescentes da família Targaryen, e os rumores da agitação
das criaturas sobrenaturais além da Muralha.
A trama é composta por inúmeros personagens,
alguns protagonistas, que tomam as rédeas da história. Ao invés de ser dividido
em capítulos, o livro é dividido em pontos de vista dos personagens principais.
É a partir da perspectiva deles que o narrador, um narrador onisciente,
manipula o leitor por entre o enredo. Essa tática de foco narrativo permite ao
leitor se aproximar mais intimamente dos personagens que tomam a palavra na
narrativa, conhecendo seus medos, suas dúvidas e suas suposições. Essas
características da obra de Martin garantem a ela o título de um dos melhores
romances de fantasia épica.
O livro “A Guerra dos Tronos”, segue três
linhas de histórias principais simultaneamente. Onde se entrelaçam disputas
entre grandes e nobres famílias, jogos de interesses, mentiras mortais e
segredos que seria melhor ninguém descobrir. Guerras pelo cobiçado Trono de
Ferro, promessas de vinganças, ameaças de criaturas sobrenaturais e mágicas,
como os grandiosos dragões até mesmo zumbis. Do frio e solitário Norte ao caloroso e vivo Sul e até mesmo além dos mares para as
terras além de Westeros. A Guerra
dos Tronos promete envolver e atiçar a vontade de leitura de qualquer um que se
aventure por essas páginas.
A obra de GRRM impressiona pela forma como,
mesmo sendo uma narrativa maçante e longa carregada de detalhes e personagens
dos mais variados, tem uma fluidez suave e se desenvolve de uma maneira muito
natural. A gama de histórias se desenrola bem, nos permitindo explorar oito
perspectivas diferentes, nos aproximando de maneira muito íntima de cada
personagem que recebe a palavra no livro, fazendo-nos conhecer seus medos, seus
anseios, suas impressões e suspeitas, e até mesmo o modo como eles enxergam os
outros personagens ao seu redor.
A mitologia e outros aspectos da obra, como o
modo como as estações do ano são definidas, também chamam a atenção por sua
complexidade e pela forma como Martin as trabalha, não deixando que fiquem
impostas de forma forçada na trama, se encaixando perfeitamente na história,
estimulando ainda mais a sede por mais páginas do livro. Podendo ter
significados subjetivos e levantando indagações. “Por que os invernos são tão
longos e rigorosos?”, “O que isso pode significar no plano subjetivo?”
O livro apresenta uma satisfatória margem de
agrado, abrangendo um público muito grande que varia de adolescentes a adultos,
por se tratar de uma literatura impressionante, pela sua estrutura e seu
conteúdo profundo e atrativo, impregnado de referências históricas reais. Disponibilidade
rentável para qualquer classe social e em qualquer nível de escolaridade.
George
Raymond Richard Martin (Bayonne, 20 de setembro de 1948), é um roteirista e
escritor de ficção científica, terror e fantasia estadunidense. É mais
conhecido por escrever os livros de fantasia épica As Crônicas de Gelo e Fogo. Ele foi declarado uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2011 pela
revista TIME. Além disso, é escritor
também de outros romances, novelas e livros infantis tais como, A Morte da Luz (1977), The Armageddon Rag
(1983), Night of the Vampyres (1989), O Dragão de Gelo (1980), sendo
indicado à premiações por vários de seus escritos.
A série de livros também originou um seriado de TV ao qual recebe o nome do primeiro livro da saga, "Game of Thrones"
Gildo
Antônio Rodrigues Filho, Acadêmico do Curso de Letras Português da Universidade
Federal de Goiás (UFG).
sexta-feira, 16 de junho de 2017
Um arcabouço construído por momentos cativantes
![]() |
| Gilberto Mendonça Teles no Colóquio de Poesia Goiana |
Ao
me perguntar o que representa a Universidade para mim, eu só
consegui reviver uma emocionante recordação de uma época em que eu
ainda não era estudante
da UFG.
Eu tive a oportunidade de crescer em meio às escolas que minha mãe
lecionava e aquele ambiente, aquela energia, me deixavam fascinada,
despertando em mim um sonho de seguir a mesma carreira. Contudo,
devido a todas as dificuldades que minha mãe passou com essa
profissão, por muito tempo eu não recebi apoio da minha família,
já que está acreditava que deveria seguir uma
carreira de maior “prestígio”.
Entretanto,
um simples ato bastou para me impulsionar nesse sonho. Minha mãe,
como uma boa amante de livros, cultiva uma
boa coleção de livros que
muitas vezes deve ser renovada
por conta do espaço. Em 2013, em uma de nossas "limpezas"
em que retirávamos alguns livros para doar a algumas bibliotecas
públicas, eu descartei uma coletânea de contos de Bernardo Élis
que contava com uma seleção e análise rica de Gilberto Mendonça
Teles. Me recordo com muito carinho a reação de minha mãe, que
afirmou: "Esse livro devemos guardar, Bernardo dá nome ao seu
futuro prédio de estudo e
é essencial que conheça a sua produção, e
Gilberto é um grande pesquisador que merece ser lido." Aquilo
me chocou muito, pois foi a primeira vez que minha mãe aceitou a
minha escolha de curso e sonhou junto comigo.
Agora
já graduando no curso de Letras, eu tive duas experiências
incríveis que me lembraram esse momento do passado. A minha primeira
participação em uma pesquisa (a chamada PCC)
está sendo desenvolvida em cima da obra de Bernardo Élis, e aquele
mesmo livro, hoje é uma fonte de pesquisa para mim. Em segundo, no
dia 12 de junho de 2017, eu vivi um momento emocionante. Nesta data
eu tive a oportunidade de assistir Gilberto Mendonça Teles
ministrando sobre "A crítica e a história literária na (Pós)
Modernidade", no evento 1° Colóquio de Poesia Goiana oferecido
pela
Faculdade de Letras da UFG. Logo, estando ali, naquele auditório, a
algumas fileiras de distância da mesa que Teles ocupava, eu tive a
sensação de ter feito certo. Pode não ser a escolha certa para uma
vida, só
futuro me dirá,
mas com certeza foi a escolha devida para esse momento. Portanto,
concluo que para mim a experiência da Universidade, ultrapassou os
limites do social e do profissional, e configurou-se como a vivência
de momentos pessoais
que
me
cativam cada vez mais.
Tropicalismo: disco-manifesto “Tropicália ou Panis et Circensis”
![]() |
| Capa do álbum "Tropicália ou Panis Et Circensis" |
BEREMBEIM.
Manuel. Tropicalismo ou Panis et Circencis. Produção de Manuel
Berembeim. Vocal, vocal de apoio e instrumentos diversos de Caetano
Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes, Tom Zé,
Capinam e Torquato Neto. Arranjos e regência de Rogério Duprat. São
Paulo. RGE, Phillips. 1968. 38min38s. Técnico de gravação: Estélio
Entre 1967 e
1968 os músicos Tom Zé, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Os
Mutantes, o produtor musical Rogério Duprat, o maestro Júlio
Medaglia, os escritores José Agrippino de Paula e Torquato Neto, o
teatrólogo José Celso Martinez Corrêa e os artistas plásticos
como Lygia Clark e Hélio Oiticica, entre outros, fizeram parte de um
projeto criativo que resultou no disco-manifesto "Tropicália
ou Panis et Circensis". Em um ano de aflição oriunda da
Ditadura Militar, este grupo ousou propor um projeto antropofágico
que transformou o cenário cultural brasileiro em 1968 com o
lançamento do disco.
Contexto
Histórico
O
ano de 1968 foi de grandes tensões no país. As greves operárias e
as manifestações estudantis – com a consequente repressão
policial – se intensificaram. Culturalmente, o país fervilhava com
as manifestações artísticas. Foi desenvolvido um estilo musical
novo, a Tropicália, que tem por marco inicial o Festival de 1967,
através da canção Alegria Alegria de Caetano Veloso. Apesar de
desenvolver uma crítica social, o Movimento Tropicalista não
possuía como objetivo principal utilizar a música como um meio de
combate político à ditadura militar que vigorava no Brasil.
Através da mescla de elementos tradicionais da cultura brasileira a
inovações estéticas importadas da Europa, como o Rock, juntamente
com a guitarra elétrica, a Tropicália foi um movimento nitidamente
estético e comportamental.
A
capa emblemática
O disco manifesto do tropicalismo possui uma natureza diferente, em que letra, música, capa e texto da contracapa combinam-se perfeitamente exigindo um trabalho de decifração de quem o analisa. A imagem da capa, registrada pelo fotógrafo Oliver Perroy, tem como inspiração as fotos antigas de família. Mas é impossível não lembrar também de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles, álbum que incorporou à música arranjos e símbolos que vibrava psicodelia e serviu como inspiração à Tropicália.
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| Capa do álbum "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", disco que elevou o Rock à arte culta. |
![]() |
| Cada artista possui um significado oculto na capa do LP. |
Percebe-se que cada personagem tem um significado oculto. Gal Costa e Torquato Neto representam o casal de classe média. Tom Zé, com uma mala na mão, é o retirante nordestino e personagem da canção “Mamãe Coragem”. O arranjador Rogério Duprat segura um penico, uma alusão a Marcel Duchamp, escultor francês dadaísta. Os Mutantes empunham guitarras, símbolo da modernidade artística. Caetano exibe uma foto de Nara Leão, musa da bossa nova, Gil, outra de Capinam, poeta e letrista baiano. As palmeiras que aparecem nos cantos e no vitral reforça ideia tropical, junto com a moldura verde, azul e amarela que cerca a foto
Do
título às canções
O
título do disco também pede uma decifração. O slogan em latim é
arrevesado (circencis não existe nessa língua), mostrando que tudo
inicia com humor. No entanto, tal título revela uma indagação:
será função da arte desviar o povo dos seus problemas reais, como
no tempo do pão e circo romano? “Miserere nobis” (Gilberto Gil
e Capinam) abre o disco, a temática da música é a miséria, o
clima de missa e a referência à política violenta bastante clara. A
letra ainda associa Brasil, fuzil e canhão, deixando evidente que já
não podemos mais ficar “calados e magros esperando o jantar”. No
final da canção, ouvem-se disparos de canhão, que duram até o
início da próxima canção. Aliás todas as faixas se sucedem sem
intervalo, numa prática que após Sargent Pepper’s se tornaria
comum na música pop.
Em seguida, “Coração Materno” , canção de Vicente Celestino composta em 1937, é interpretada por Caetano Veloso de maneira melodramática. A terceira faixa, “Panis Et Circensis”, composta por Gil e Caetano e interpretada pelos músicos psicodélicos dos Mutantes, se tornou o grande hino do movimento Tropicália. Com uma letra que diz que as pessoas estão acomodadas e não percebem que a vida não é apenas nascer e morrer, deram um choque em toda a sociedade. O disco traz outros temas explorados pelos tropicalistas. “Lindonéia”, de Caetano Veloso, retrata uma vida suburbana e monótona, além de oprimida pela vigília policial. A realidade urbana e consumista aparece em “Parque Industrial”, de Tom Zé. Em “Três Caravelas”, versão da música cubana de Algueró e Moreau, remete-se às raízes comuns com a América espanhola.
“Geleia geral”, de Gil e Torquato Neto, mostra elementos que possuem uma identidade nacional. Por exemplo, em “Minha terra é onde o Sol é mais limpo/ Em Mangueira é onde o Samba é mais puro” remete à “Canção do Exílio” do poeta romântico Gonçalves Dias. O próprio título da composição remete a um texto do poeta concretista Décio Pignatari, que afirmava: “Na geléia geral brasileira, alguém tem que exercer as funções de medula e osso” - tarefa assumida pelos tropicalistas. A faixa “Enquanto seu lobo não vem” mostra que não são apensa os desejos políticos que estão sufocados pela ditadura, mas também os afetivos. A canção “Baby” de Caetano, que ficou conhecida no som d’os Mutantes, no disco leva a belíssima voz de Gal Costa, expressa o que eventualmente tachou os tropicalistas de alienados. “Baby” situa-se no âmbito da cultura pop, evocando o consumo a partir da Jovem Guarda (“… aquela canção do Roberto”) e com o contato com aquilo que é internacional (“Você precisa aprender inglês”) fazendo referências às inspirações para a tropicália, como os Beatles e os Rolling Stones.
“Bat Macumba” é um poema concreto musicado, com uma frase que vai perdendo uma sílaba até chegar a uma sílaba somente, para assim voltar a ser reconstruída, de forma simétrica. A canção traz um elemento da cultura pop, o Batman, e relaciona-o com um elemento típico do sincretismo religioso brasileiro, a macumba. Além disso, merece destaque a construção do texto, o que reforça a relação entre o Tropicalismo e o Concretismo. Há algumas suposições quanto o desenho que é formado com a disposição da letra, já que este assemelha-se à badeira brasileira.
O legado
Desde de sua eclosão, o tropicalismo vem inspirando jovens artistas que surgem na música brasileira. A obra dos tropicalistas serviu como influência a diversos artistas da moderna MPB, entre eles Chico Science e a Nação Zumbi, Adriana Calconhoto, Lenine, Los Hermanos, e também o projeto Tribalista de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. Além das manifestações da música de periferia- como o rap e o funk- que trazem um laço forte com o tropicalismo, por conta da atitude inovadora e a quebra de preconceitos que rondam esse estilo, assim como na década de 60 era barrado a produção criativa no Brasil.
A importância do tropicalismo está no seu aspecto artisticamente inovador, que serviu para modernizar a música popular brasilera incorporando e desenvolvendo novos padrões estéticos. O disco ficou na segunda colocação dos Melhores Álbuns de Música Brasileira segundo a revista Rolling Stone, dando à esse disco o crédito devido. Um disco a cara do Brasil, com uma imensa contribuição à cultura e ao coração e alma de quem o ouve.
Em seguida, “Coração Materno” , canção de Vicente Celestino composta em 1937, é interpretada por Caetano Veloso de maneira melodramática. A terceira faixa, “Panis Et Circensis”, composta por Gil e Caetano e interpretada pelos músicos psicodélicos dos Mutantes, se tornou o grande hino do movimento Tropicália. Com uma letra que diz que as pessoas estão acomodadas e não percebem que a vida não é apenas nascer e morrer, deram um choque em toda a sociedade. O disco traz outros temas explorados pelos tropicalistas. “Lindonéia”, de Caetano Veloso, retrata uma vida suburbana e monótona, além de oprimida pela vigília policial. A realidade urbana e consumista aparece em “Parque Industrial”, de Tom Zé. Em “Três Caravelas”, versão da música cubana de Algueró e Moreau, remete-se às raízes comuns com a América espanhola.
“Geleia geral”, de Gil e Torquato Neto, mostra elementos que possuem uma identidade nacional. Por exemplo, em “Minha terra é onde o Sol é mais limpo/ Em Mangueira é onde o Samba é mais puro” remete à “Canção do Exílio” do poeta romântico Gonçalves Dias. O próprio título da composição remete a um texto do poeta concretista Décio Pignatari, que afirmava: “Na geléia geral brasileira, alguém tem que exercer as funções de medula e osso” - tarefa assumida pelos tropicalistas. A faixa “Enquanto seu lobo não vem” mostra que não são apensa os desejos políticos que estão sufocados pela ditadura, mas também os afetivos. A canção “Baby” de Caetano, que ficou conhecida no som d’os Mutantes, no disco leva a belíssima voz de Gal Costa, expressa o que eventualmente tachou os tropicalistas de alienados. “Baby” situa-se no âmbito da cultura pop, evocando o consumo a partir da Jovem Guarda (“… aquela canção do Roberto”) e com o contato com aquilo que é internacional (“Você precisa aprender inglês”) fazendo referências às inspirações para a tropicália, como os Beatles e os Rolling Stones.
“Bat Macumba” é um poema concreto musicado, com uma frase que vai perdendo uma sílaba até chegar a uma sílaba somente, para assim voltar a ser reconstruída, de forma simétrica. A canção traz um elemento da cultura pop, o Batman, e relaciona-o com um elemento típico do sincretismo religioso brasileiro, a macumba. Além disso, merece destaque a construção do texto, o que reforça a relação entre o Tropicalismo e o Concretismo. Há algumas suposições quanto o desenho que é formado com a disposição da letra, já que este assemelha-se à badeira brasileira.
O legado
Desde de sua eclosão, o tropicalismo vem inspirando jovens artistas que surgem na música brasileira. A obra dos tropicalistas serviu como influência a diversos artistas da moderna MPB, entre eles Chico Science e a Nação Zumbi, Adriana Calconhoto, Lenine, Los Hermanos, e também o projeto Tribalista de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. Além das manifestações da música de periferia- como o rap e o funk- que trazem um laço forte com o tropicalismo, por conta da atitude inovadora e a quebra de preconceitos que rondam esse estilo, assim como na década de 60 era barrado a produção criativa no Brasil.
A importância do tropicalismo está no seu aspecto artisticamente inovador, que serviu para modernizar a música popular brasilera incorporando e desenvolvendo novos padrões estéticos. O disco ficou na segunda colocação dos Melhores Álbuns de Música Brasileira segundo a revista Rolling Stone, dando à esse disco o crédito devido. Um disco a cara do Brasil, com uma imensa contribuição à cultura e ao coração e alma de quem o ouve.
Caetano
Veloso nasceu em Santo Amaro da Purificação em 07 de agosto de
1942. Demonstrou talento para a arte na infância, ainda no interior
da Bahia, mas foi em Salvador que se tornou músico. Foi preso e
exilado. Um dos artistas mais influentes de sua geração, continua
ativo, compondo, fazendo shows e gravando.
Gilberto
Gil nasceu em Salvador em 26 de junho de 1942. Se destacou com Os
Mutantes na mesma época que criava o Tropicalismo com Caetanp.
Perseguido pela Ditadura, se exilou com o parceiro. Na volta, lançou
Expresso
2222,
devisor de água de sua carreira. Foi Ministro da Cultura de 2003 a
2008.
Os
Mutantes é uma banda brasileira de rock psicodélico formada no ano
de 1966, em São Paulo, por Arnaldo Baptista (baixo, teclado,
vocais),Rita
Lee (vocais)
e Sérgio Dias (guitarra, baixo, vocais). Os Mutantes iniciou suas
atividades em 1966, como um trio, quando se apresentaram em um
programa da TV Record, até terminar em 1978 com apenas Sérgio Dias
como integrante original.
Referência Bibliográfica:
PAIANO, Enor. Tropicalismo:Bananas ao vento no coração do Brasil.São Paulo: Scipione, 1996.
Isabella
Cristina Ribeiro Bernardes, Acadêmica do Curso de Letras-Português
da Universidade Federal de Goiás (UFG)
quarta-feira, 14 de junho de 2017
Resenha - Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band
Em 01 de junho de 1967, os Beatles estavam lançando
o que seria um dos álbuns mais importantes da história da musica pop: o Sgt. Pepper’s
Lonely Hearts Club Band, produzido em um cenário de revoluções e mudanças do
comportamento jovem e no mundo musical, onde a banda influenciou e também foi
influenciada.
The Beatles, formada em 1962, em Liverpool, por
Ringo Starr, George Harrison, John Lennon e Paul McCartney, inicialmente
recebeu referências do Rock and Roll da década de 1950, feito por Elvis
Presley, Little Richard e Chuck Berry. Com o amadurecimento musical, a banda
foi assumindo outros gêneros, como o rock psicodélico e o folk, com influências
vanguardistas e da música clássica.
O álbum nasceu da brilhante ideia de Paul McCartney
de assumirem a imagem de uma outra banda, um alter ego. Assim, pela primeira
vez, os Beatles apareceram de bigodes e com uniformes coloridos de banda
militar. Criaram então o conjunto
fictício: Sgt. Pepper’s Lonely Heart Club Band, que em português seria “A Banda
dos Corações Solitários do Sargento Pimenta”. Percebemos isso logo na capa,
feita pelo pop-artista britânico Peter Blake. Colorida e chamativa, a capa
mostra o grupo de uniformes militares em um jardim, como se estivessem se
apresentando ao ar livre, e atrás deles, uma grande plateia. A plateia é
formada pelas imagens das pessoas que tiveram uma grande importância na
formação pessoal de cada beatle. Entre elas estão Albert Einstein, Bob Dylan,
Karl Marx e Edgar Allan Poe.
Com essa ideia, o Sgt. Pepper foi produzido para
simular uma performance ao vivo da banda fictícia . A faixa de abertura, que
possui o mesmo nome do disco, além de ter sons de aplausos e ruídos que se
parecem os de instrumentos sendo afinados, apresenta o conjunto ao ouvinte como
se estivéssemos realmente num concerto.
A letra diz: “We're
Sergeant Pepper's Lonely Hearts Club Band/ We hope you will enjoy the show”, que
em português seria: "Somos A Banda do Sargento Pimenta de Corações Solitários/
Esperamos que gostem do show", essa canção aparece de novo como a penúltima
faixa do álbum, porém com uma alteração na letra: “Somos
a banda do sargento pimenta de corações solitários e esperamos que você tenha
apreciado a apresentação/Nós sentimos muito, mas é hora de ir” como se o conjunto
estivesse se despedindo do público.
O conceito de ser outra banda provavelmente surge da
insatisfação dos Beatles em serem os próprios Beatles. Em 1966, eles haviam
passado por momentos conturbados. Não queriam mais fazer shows, pois a gritaria
das fãs era tanta que os músicos nem conseguiam se ouvir. Além disso, a
declaração de John Lennon sobre o cristianismo causou muita polêmica, e
críticas negativas surgiam por toda parte. Cansados, o quarteto resolveu sumir
da mídia e dos palcos, assim poderiam se dedicar integralmente ao novo álbum.
![]() |
O que nos surpreende é a evolução tão radical e em
tão pouco tempo. Os Beatles não eram mais aqueles mocinhos de terno que
cantavam sobre o amor juvenil. Eles haviam amadurecido. As letras, passaram a
ter temas mais profundos e reflexivos, e os arranjos eram mais trabalhados e complexos. Essa mudança começa no álbum
Rubber Soul, de 1965. Nele, o conjunto foi fortemente influenciado pelo The
Freewheelin’, o segundo disco de Bob Dylan. Em próximo álbum, Revolver, de 1966, percebe-se a
evolução gritante do quarteto. Com referências psicodélicas, começa então a
fase onde eles experimentam, juntamente com as drogas, novas possibilidades de
gravação e novos instrumentos.
![]() |
No Sgt. Pepper a banda chega ao auge de seu
experimentalismo e criatividade. Entre as treze canções que mais representam,
temos: A psicodélica “Lucy in the Sky with Diamonds”, composta por John Lennon
apresenta letra surrealista inspirada em um sonho e um desenho de seu filho
Julian. “She’s
Leaving Home”, narra a historia de uma garota que foge de casa. Paul McCartney
teve a ideia da letra após ler uma noticia do jornal. Para gravar esse
belíssimo arranjo, foram usados apenas instrumentos de orquestra, o que não era
comum em uma banda de rock.Fascinado pela
cultura oriental, George Harrison compôs “Within You Without You”. Foi
gravada com alguns instrumentos indianos, como a cítara e a tambura, juntamente
com violinos.“Lovely Rita” é sobre uma guarda de transito. Nessa
musica o quarteto usa pente e papel para fazer sons de chocalho. Na agitada
“Good Morning Good Morning”, Lennon se inspirou em um comercial de cereais para
fazer a letra. Na musica foram usadas fitas gravadas com sons de animais. “A Day In the
Life” é a canção que fecha o álbum. A faixa foi colocada depois da reprise de
despedida da banda do Sargento Pepper. Uma das musicas mais importantes do
álbum, A Day in the Life é como se fosse o “bis” do show. No meio da musica ouvimos
um grande ruído feito pela filarmônica de Londres, onde os músicos começavam
tocando a nota mais grave dos seus instrumentos e iam crescendo para a nota
mais aguda e no volume mais alto. Isso causou um efeito grandioso na música.
CEPAE - Onde tudo começou
![]() |
| CEPAE- Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação |
Essa foto representa a UFG para mim porque foi no CEPAE onde tive o meu primeiro contato com a Universidade Federal de Goiás. Foi ali que assisti minha primeira aula no campus, com ótimos professores e me preparei para ingressar na graduação. Eu muito aprendi neste local e desejo aprender ainda mais estudando na FL, para que no futuro possa ser uma profissional tão capaz quanto os professores que tive.
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