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quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Resenha crítica: O Gambito da Rainha

XADREZ EM VIDA

 

 

 

  Com um título pouco comum para quem não se envolve com o xadrez, acaba que chama a atenção pelo conteúdo. Além disso, é uma minissérie de sete episódios cheia de assuntos complexos e superações que tende a me fazer cobrar um deslumbre. Por tanto ao me deparar com tal produção fui pega em total fascínio. A real emoção e comoção passada na trama é de trazer até mesmo assuntos antigos aos mais pensados após a série.

  Adaptada por Scott Frank, do romance com o mesmo título escrito por Walter Tevis, em 1983, O GAMBITO DA RAINHA atrai por seus quesitos. Com um elenco de peso, interpretações impecáveis e uma magnifica linguagem visual. É claro que há “tropeços” ao longo caminho, no entanto ainda sim não diminui nenhum valor.

  A série conta a história de Elizabeth, chamada por Beth. Que por ventura foi interpretado Anya Taylor-Joy, atriz de Fragmentado e Pecky Blinders que deu vida a uma personagem com traumas e procura asi mesma em toda sua caminhada.

  Beth Harmon é uma criança que precisa morar em um orfanato após perder sua mãe em um acidente de carro e, chegando lá descobre uma vida completamente diferente e se choca com as regras impostas. Consequentemente ela usa calmantes que é fornecido para as crianças serem dóceis ( que era dado para as crianças em orfanatos no ano de 1967) que, acaba criando um vício em forma de escape. Sendo assim, se chocando com esse mundo onde tudo tinha perdido a graça, a menina encontra o xadrez que por sua vez, vê que tem um bom desempenho no jogo. E sim, ás vezes parece que ela está
em uma brincadeira simples mas foi onde a personagem realmente se encontra, isso se torna a Parte fundamental da trama. Mesmo o jogo exigindo muito da inteligência, mente e audácia a garota vai crescendo, estudando e praticando muito, mostrando que não é só talento. Com isso as partidas de xadrez são mostradas e amplificadas de uma forma tão perfeita que não tive como dormir quando elas aconteciam.

Com isso, o movimento do xadrez fez com que Beth se movimentasse com ele. Sr. Shaibel interpretado por Bil Camp, é o zelador do orfanato que foi o responsável por ensinar Beth a jogar xadrez mesmo as escondidas no local. Mesmo sendo um personagem silencioso, demonstra total química com a personagem O GAMBITO DA RAINHA, uma minissérie estreada em outubro pela Netflix é baseada em xadrez. Idealizada como apenas início, meio e fim teve seu formato dessa forma sem prorrogação para uma possível segunda temporada. O que lhe caiu bem, pois teve um ótimo desempenho e desfecho. ajudando-a evoluir, o que é muito prazeroso de assistir. O personagem desempenha um papel importante na vida de Beth que acaba preenchendo uma lacuna de sua vida perdida no acidente e encontrada agora com ele no jogo.

  O segundo episódio mostra sua vida adulta sem o Sr. Shaibel, mas com tudo que aprendeu com ele. A personagem foi adotada por uma família que tentava se enquadrar socialmente e Beth começa a acreditar que pode fazer do xadrez seu futuro. Nesse momento a personagem pensa achar que está encontrando seu caminho e durante isso ela se depara com a história de sua mãe adotiva Alma Wheatllew, interpretada por Marielle Hellen. A mãe adotiva de Beth e uma dona de casa feita para ser submissa ao marido inadimplente, egoísta e inconstante em um período em que a mulher era extremamente rebaixada pela sociedade e aos olhos dele.

  A conexão que as personagens encontram eleva e desenvolve o ápice de O GAMBITO DA RAINHA. E mesmo mostrando a história de Alma, o foco continua em Beth que evoluí e encontra o crescimento e crises das duas. É nisso que a trama começa a se concentrar, em seu crescimento no xadrez enfrentando seus desafios pessoais também. Elas embarcam junto em viagens pelo país em torneios de xadrez, ousando quebrar as paredes impostas pela sociedade.

  Durante as partidas de xadrez é possível se conectar com as características da personagem através de seus riscos. Enquanto o tempo passa, ela se torna mais sábia, mostrando também o desempenho da atriz Taylor-Joy que se encontra em metamorfose pela personagem. A atriz prende atenção do espectador entre os paradoxos de forma sútil.

  É claro que mergulhando no mundo em que a personagem se encontra, além de dar tudo de si ela tenta se anestesiar com vícios que ficam cada vez maiores. E sendo uma mulher no mundo masculino, o roteiro mostra o grande desempenho das mulheres como também continua o xadrez durante a guerra-fria enfrentando somente homens.

  Inevitavelmente existem erros na trama, a qual estrutura do roteiro pode cansar os espectadores. No entanto mesmo o xadrez sendo tão repetitivo, as partidas não são repetitivas e todas elas cabem no crescimento dos personagens e do roteiro.

  Com um final que redonda a essa minissérie com o fato de Beth ter que se reinventar após se envolver em vícios com jogos e lidar com perdas materiais e sentimentais o conteúdo fica melhor aos nossos interesses. Tanto que em menos de um mês tal minissérie se torna a mais assistida da Netflix após a estreia. E no fim seus ensinamentos faz o público refletir sobre a importância de alguns problemas e como é lidado na sociedade em si. O GAMBITO DA RAINHA deixa um impacto vidas incríveis e emocionantes, que deixam a série necessária. Poderemos ver os demais resultados desse sucesso ao longo do tempo, mas é sem dúvidas a série que você precisa assistir.

 

 


 

 

Universidade federal de Goiás, outubro de 2020

Autoria: Thaynara Neres dos Reis, Disciplina: Leitura e produção

Professor(a): Margareth Lobato

Gênero: Resenha

Thaynaraneres578@gmail.com


terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Resenha Crítica : Bom dia, Verônica.

 

Bom dia, Verônica

 

  Genialmente, “Bom dia, Verônica” trata do despertar de mulheres. Despertar, por sua vez, é “fazer sair do estado de torpor ou de inércia; fazer readquirir ou readquirir força ou atividade; espertar.”

  A série inspirada no Livro, de mesmo nome, de Ilana Casoy e Raphael Montes aborda o tema da violência contra a mulher e seus contornos.

 Verônica – não por acaso uma escrivã em uma delegacia de homicídios – ao presenciar um suicídio de uma mulher visivelmente consternada, decide investigar por si mesma o que a levou a cometer tal ato. Descobre então que se trata de um caso de misoginia, em que um homem seduz mulheres por um site de relacionamentos, as droga com uma espécie de “boa noite, Cinderela” que deixa uma ferida nos lábios e, quando acordam se dão conta de que foram furtadas e enganadas.

  Ao tornar o caso público, Verônica, contraria seus superiores que pretendiam “abafá-lo” para manter o “status quo”. Nesse momento, fica evidente como a sociedade trata as mulheres: como seres humanos de segunda categoria. Quando suas vidas não merecem atenção, suas mortes não causam tanta comoção, suas historias não são contadas e nem ouvidas.

  Trazendo à tona traumas do passado de Verônica, o responsável pela delegacia intenta desestabilizá-la utilizando-se de uma forma de abuso psicológico bastante usual: o “gaslighting”. Essa atitude desonesta e criminosa faz com que mulheres – por mais convictas que sejam – percam a confiança em si mesmas e duvidem de suas memórias e de fatos vivenciados. Verônica ainda que seja uma mulher desperta e tenaz – que por vezes será vista como heroína – é uma mulher que está se fragilizando à medida que é obrigada a conciliar sua vida pessoal e seu trabalho. Apesar de suas atitudes serem louváveis, ninguém deveria sair “para a guerra” todos os dias.

  No entanto, a escrivã segue com a investigação e por meio de sua fala à imprensa, outras duas mulheres decidem entrar em contato para realizar uma denúncia. Muitos são os questionamentos à respeito do porquê grande parte das mulheres vítimas de violência não denunciam, além da falta de informação sobre como proceder, há outros motivos que fazem essas mulheres desistirem da denúncia. O interrogatório de Tânia – uma das vítimas que decidiu denunciar – exemplifica bem. Percebe-se nessa cena as claras tentativas de culpabilizar e de descredibilizar a vítima, utilizando -se de perguntas que não convinham ser feitas. O fato chocante é ver que tal constrangimento está sendo provocado por uma delegada; uma mulher. Uma mulher que violenta suas iguais, reproduzindo o machismo que lhe foi internalizado.

  Vemos, então, a importância da escuta cuidadosa e empática, em que há respeito e acolhimento às dores alheias, escuta que não dê espaço para estigmatizações que gerem ainda mais sofrimento.

  A série também retrata, com maestria, Janete. Uma mulher que vive um relacionamento abusivo, cujo o agressor é um oficial da polícia e um serial killer . Ela, que é obrigada a participar das atrocidades cometidas por seu marido, em um determinado momento deve colocar em sua cabeça uma caixa que permite ver apenas parte do que acontece por um pequeno buraco. Algo bastante simbólico é o fato da caixa não ter fechadura ou cadeado, ela pode ser aberta a qualquer momento.

  As falas enfáticas de seu marido, “ EU sou sua família”, “Você é a mulher da MINHA vida” e “Você ainda vai ME dar um filho”, ainda que disfarçadas de cuidado, são carregadas de informações que indicam que se trata de um relacionamento abusivo.

  Assim como nessa primeira cena, o abusador não se apresenta logo de início como um monstro, mas qualquer mulher que vivenciou violência doméstica ou já esteve em um relacionamento abusivo consegue identificar que há ali uma disfunção, ainda que não consiga nomear. Em muitas cenas podemos perceber o quanto a violência simbólica, psicológica e patrimonial são tão cruéis quanto a violência física, ela destrói brutalmente cada pedacinho de autoestima e confiança, corrói a ponto de alterar a percepção que se tem sobre si.

  Vemos em Janete, toda dor e medo comprimidos, cada centímetro. A anulação de si mesma a ponto de não ser reconhecida, de não ter mais identidade, tantas concessões não lhe sobrou mais nada. Uma “passarinha” - como sadicamente é chamada por seu agressor – que não sabe mais como usar suas asas, e as penas pesam.

  Ainda assim ela abre a caixa. E, a cada vez que a caixa é aberta, ela consegue enxergar melhor o que de fato está acontecendo. Consegue ver que não era nela que havia algo de errado e, desperta, tenta alçar voo.

  Ao ouvir casos como esses, muitos podem ter o ímpeto de culpar e julgar de diversas maneiras as mulheres envolvidas, mas elas definitivamente não são as culpadas por entrarem nesse tipo de relacionamento. A forma como meninas são socializadas as levam à esse tipo de relação, pois desde o nascimento vai sendo internalizada a ideia de que precisam de aprovação masculina, precisam ser escolhidas, precisam de um homem para que se sintam realizadas e sejam validadas por essa sociedade falocêntrica. Ao mesmo tempo há um esforço enorme para minar a autoestima dessas meninas para que nunca se sintam suficientes e merecedoras. Assim, a mulher já entra na relação vulnerável.

  E como sair ? Como denunciar em uma sociedade em que homens sempre tem primazia? Assim como foi com Janete, a sociedade continua levando mulheres – sem nenhum ressentimento – à fogueira.

Assim, a série desempenha um papel muito importante ao trazer esse tema tão necessário, de forma tão sensível e crua, à baila.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Resenha Crítica (Filme): "Circle"

"Circle" da sobrevivência


"Circle" é um filme de baixa produção e com um elenco simples, mas que chama a atenção para seu tema de discussão. Dirigido por Aaron Hann e Mario Miscione, feito a partir da websérie "TheVault", também dirigida por eles e lançado em 2015, o filme em questão traz a tona o comportamento humano na sociedade, frente a uma situação de vida ou morte.

Inicia-se com 50 pessoas reunidas em uma sala, organizadas em círculo. Ao desenrolar do roteiro, os personagens percebem que a cada dois minutos uma pessoa morre e que a decisão de "quem será o próximo?" está nas mãos de cada um dos que estão ali. Isto é, "o próximo" é aquele que obtiver a maior quantidade de votos. A partir dessa descoberta começa a discussão.


Quem deve morrer? Por que eu não posso morrer? Acusações, julgamentos e justificativas são lançadas a todo momento e o próximo a morrer é escolhido a partir de estereótipos e preconceitos, influenciados por valores culturais, sociais e pessoais. Nacionalidade, etnia, crença, orientação sexual, idade, classe social, profissão, dentre muitos outros aspectos, são levados em consideração para que assim, a escolha seja feita.





É perceptível a alienação que muitos acabam sofrendo – mesmo que inconscientemente – em busca da sobrevivência, para isso, eles ficam a espera de um líder e sempre estão trocando essa liderança . Destaco então, uma das críticas que pude perceber: O instinto do ser humano. Um animal que, assim como todos os outros, em situações extremas, faz de tudo para não morrer. Entra nos lugares mais escuros buscando um escape, um esconderijo. Busca a sobrevivência.

"Circle" busca fazer uma crítica aos pré-conceitos da sociedade, juntamente com a crítica direta ao juízo de valor do ser humano e a hipocrisia desse ser que, em geral e de forma errônea, se considera "mais evoluído". Entretanto, em situações de vida ou morte tem seu instinto animal claro.

O círculo da sobrevivência é então composto de ações que são consequências de um instinto. No caso do ser humano, um ser racional, porém não o "mais evoluído", temos a alienação, a hipocrisia, o preconceito social (que busca justificar a escolha) e a manipulação.


Por fim, o tempo de escolha é pouco e por isso as superficialidades e a fraqueza dos argumentos são justificadas. O final do filme deixou muitos um tanto confusos, mas acredito que a criação de hipóteses que buscam explicar esse fim é fundamental e assim, a discussão é transferida das telinhas para uma sala de aula, um vídeo chat, uma palestra, ou até mesmo um post nas redes sociais.

TRAILER - "CIRCLE"



 L.S
Lorrainy Santos
Acadêmica do curso de Letras
Universidade Federal de Goiás (UFG)