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quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

 

Resenha do filme Tudo Bem no Natal que Vem

O filme Tudo Bem no Natal que Vem (2020) segue uma narrativa já conhecida, até os que assistem filmes corriqueiramente já devem ter se esbarrado por este tipo, que é a prisão do tempo, já vimos esta temática, por exemplo, em a Morte te dá Parabéns (2017), uma jovem acorda no dia do seu aniversário e morre no fim da noite, porém, após sua morte, ela acorda no mesmo dia do seu aniversário e recomeça os mesmos acontecimentos até acabar com sua morte novamente e o ciclo se mantem até o fim da trama.

O filme é a estreia do cinema nacional na Netflix com a temática natalina. Jorge, o protagonista do longa, interpretado por Leandro Hassum, é um pai de família que odeia a tradição natalina e tudo relacionado aos rituais dessa data. Em uma dessas celebrações de natal Jorge sofre um acidente em sua casa e só acorda 1 ano depois, no natal seguinte. O filme se diferencia dos demais pelo fato de o protagonista acordar em uma data diferente após cada fim de noite. A ideia de que o natal é magico é inserida com a mudança de personalidade do protagonista, o Jorge que conhecemos lá no início do filme, sentimental e volúvel aos problemas do cotidiano, só aparece no natal, dando lugar a um Jorge calculista que fica no controle o restante dos dias. O filme consegue nos mostrar o quanto coisas que chateiam muitos, a piada do pavê, as pequenas desavenças familiares, o "espertinho" da família que sempre pede dinheiro emprestado, são coisas que fazem parte da maioria das famílias atuais. Com o passar da trama o humor pastelão vai dando lugar a um clima de tristeza, e então fica claro para Jorge que sua idealização de uma vida boa não bate com a realidade.

O longa entrega o que se espera de uma produção natalina, arranca boas risadas ao mesmo tempo que traz uma reflexão, não é uma produção complexa, contudo, muda muita coisa sem deixar diferente do que há nas produções cinemáticas, o que nos deixa com uma pulga atrás da orelha, pois não sabemos o que pode acontecer no filme, diferente do citado no primeiro parágrafo no qual se espera uma quebra do loop e a continuidade da vida do personagem. Vale a pensa assistir, com alguém especial ou sozinho mesmo, com certeza algo te marcará.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Resenha Crítica (Filme): "Circle"

"Circle" da sobrevivência


"Circle" é um filme de baixa produção e com um elenco simples, mas que chama a atenção para seu tema de discussão. Dirigido por Aaron Hann e Mario Miscione, feito a partir da websérie "TheVault", também dirigida por eles e lançado em 2015, o filme em questão traz a tona o comportamento humano na sociedade, frente a uma situação de vida ou morte.

Inicia-se com 50 pessoas reunidas em uma sala, organizadas em círculo. Ao desenrolar do roteiro, os personagens percebem que a cada dois minutos uma pessoa morre e que a decisão de "quem será o próximo?" está nas mãos de cada um dos que estão ali. Isto é, "o próximo" é aquele que obtiver a maior quantidade de votos. A partir dessa descoberta começa a discussão.


Quem deve morrer? Por que eu não posso morrer? Acusações, julgamentos e justificativas são lançadas a todo momento e o próximo a morrer é escolhido a partir de estereótipos e preconceitos, influenciados por valores culturais, sociais e pessoais. Nacionalidade, etnia, crença, orientação sexual, idade, classe social, profissão, dentre muitos outros aspectos, são levados em consideração para que assim, a escolha seja feita.





É perceptível a alienação que muitos acabam sofrendo – mesmo que inconscientemente – em busca da sobrevivência, para isso, eles ficam a espera de um líder e sempre estão trocando essa liderança . Destaco então, uma das críticas que pude perceber: O instinto do ser humano. Um animal que, assim como todos os outros, em situações extremas, faz de tudo para não morrer. Entra nos lugares mais escuros buscando um escape, um esconderijo. Busca a sobrevivência.

"Circle" busca fazer uma crítica aos pré-conceitos da sociedade, juntamente com a crítica direta ao juízo de valor do ser humano e a hipocrisia desse ser que, em geral e de forma errônea, se considera "mais evoluído". Entretanto, em situações de vida ou morte tem seu instinto animal claro.

O círculo da sobrevivência é então composto de ações que são consequências de um instinto. No caso do ser humano, um ser racional, porém não o "mais evoluído", temos a alienação, a hipocrisia, o preconceito social (que busca justificar a escolha) e a manipulação.


Por fim, o tempo de escolha é pouco e por isso as superficialidades e a fraqueza dos argumentos são justificadas. O final do filme deixou muitos um tanto confusos, mas acredito que a criação de hipóteses que buscam explicar esse fim é fundamental e assim, a discussão é transferida das telinhas para uma sala de aula, um vídeo chat, uma palestra, ou até mesmo um post nas redes sociais.

TRAILER - "CIRCLE"



 L.S
Lorrainy Santos
Acadêmica do curso de Letras
Universidade Federal de Goiás (UFG)